Por Marta Brió, especialista em viagens de luxo
Em dezembro, coexistem duas formas muito distintas de viajar. Enquanto o hemisfério norte entra de cabeça no inverno, boa parte do hemisfério sul começa a aproveitar o verão.
As férias de Natal e Ano Novo variam muito de um destino para outro. No Norte, os dias mais curtos, o frio e as atividades natalinas influenciam a organização de cada dia. No Sul, as tardes longas e as comemorações ao ar livre convidam a passar mais tempo fora de casa.
As necessidades da viagem também mudam. No inverno, o clima e o equipamento que se leva podem influenciar a escolha do veículo e o tempo necessário para cada trajeto. No verão, é comum combinar praias, restaurantes à beira-mar e atividades ao ar livre. Além disso, tanto no Natal quanto na véspera de Ano Novo, os bloqueios de trânsito e as restrições de acesso podem alterar os deslocamentos pela cidade.
O inverno no hemisfério norte
Não existe uma única maneira de organizar uma escapada de inverno. Em algumas cidades, quase todos os planos se concentram no centro. Em outras, a estadia combina passeios urbanos com atividades na neve ou excursões fora da cidade.
Montreal, Salzburgo e Sapporo mostram até que ponto os deslocamentos podem variar nesta época do ano:
- Montreal: em dezembro, os mercados de Natal, as pistas de patinação ao ar livre, as decorações luminosas e outros eventos se distribuem entre o centro, a Velha Montreal e diversos bairros. Os percursos continuam sendo principalmente urbanos, embora a neve e as baixas temperaturas possam condicionar os deslocamentos.
- Salzburgo: os mercados de Natal abrem a partir de novembro em diversos pontos da cidade, entre eles Domplatz, Residenzplatz e Mirabellplatz. Grande parte da atividade se concentra no centro histórico; por isso, é possível combinar mercados, restaurantes e shows sem precisar percorrer grandes distâncias.
- Sapporo: em dezembro, a neve já faz parte da paisagem cotidiana e, a partir da cidade, é possível chegar a várias estações de esqui. Uma estadia pode combinar atividades urbanas com dias nas pistas, o que exige reservar espaço para o equipamento de esqui e mais tempo para os deslocamentos fora da cidade.
As necessidades de transporte são, portanto, diferentes em cada destino. Em Montreal, é preciso levar em conta a neve e o frio ao se deslocar por uma grande cidade; em Salzburgo, as comemorações se concentram no centro histórico; e em Sapporo, as saídas para esquiar exigem espaço para o equipamento e mais tempo para chegar às pistas.
O verão no hemisfério sul
No hemisfério sul, dezembro dá início ao verão. Os dias mais longos e as temperaturas mais quentes favorecem os planos nas praias, nos terraços e em espaços ao ar livre, inclusive durante as comemorações de fim de ano.
- Rio de Janeiro: o Réveillon atrai uma grande multidão à praia de Copacabana. No dia 31 de dezembro, o acesso à área muda consideravelmente. Por isso, o local onde os viajantes estão hospedados e onde planejam passar a noite influencia diretamente os horários e os pontos de embarque.
- Cidade do Cabo: os planos de verão podem levar os viajantes muito além do centro: às praias, à costa atlântica, ao V&A Waterfront ou aos vinhedos do Cabo. Em um mesmo dia, podem ser percorridos muitos quilômetros, principalmente se uma tarde fora da cidade terminar com um jantar ou um evento noturno na Cidade do Cabo.
- Melbourne: um dia pode começar no centro, continuar nas praias de St Kilda ou Brighton e terminar com um jantar ou um evento em outra área da cidade.
Se o grupo for se deslocar várias vezes entre áreas distantes, é aconselhável decidir com antecedência se terá um veículo à disposição ou se serão organizados traslados independentes em cada local.
Diferenças sazonais nos requisitos dos veículos
A época do ano influencia a bagagem de cada viajante. Equipamentos de esqui e roupas de inverno ocupam espaço, mas férias longas de verão também podem exigir bem mais bagagem do que uma breve escapada urbana.
Por isso, o número de passageiros não é suficiente para escolher um veículo. Duas pessoas que viajam no fim de semana e duas que ficam fora por dez dias ocupam os mesmos assentos, mas podem ter necessidades de bagagem bem diferentes.
O mesmo ocorre com os grupos. Várias malas, equipamentos esportivos, cadeirinhas infantis ou outros objetos podem tornar necessário um veículo de maior capacidade, mesmo que o número de passageiros seja o mesmo.
31 de dezembro não é um dia normal para viajar
A véspera de Ano Novo transforma o trânsito em muitas cidades. Os bloqueios de trânsito, as ruas fechadas para pedestres, as áreas restritas para as comemorações e as grandes aglomerações podem obrigar a mudar de rota e a definir pontos de embarque mais distantes do que o previsto.
As restrições dependem de cada cidade e da área específica. No Rio de Janeiro, a comemoração em Copacabana afeta o acesso à praia e às ruas próximas. Em Melbourne, os fogos de artifício são apreciados a partir de diferentes áreas habilitadas para a observação. Saber exatamente onde os viajantes passarão a noite é essencial para organizar seus deslocamentos.
Por isso, o tempo que leva para chegar a um local no dia 30 de dezembro serve pouco como referência para a noite seguinte. O mesmo trajeto pode exigir sair mais cedo ou combinar um ponto de embarque mais distante.

Planejamento com base em compromissos fixos
Nas viagens de Natal e Ano Novo, muitos planos são definidos com antecedência. O intervalo entre uma atividade e a seguinte ganha especial importância quando podem ocorrer condições climáticas adversas, o tráfego típico dessas datas ou bloqueios temporários de ruas.
Analisar o dia inteiro permite ver como um trajeto afeta o seguinte. Um almoço que se prolonga nos arredores da Cidade do Cabo deixa menos tempo para se chegar a um compromisso noturno na cidade. Da mesma forma, depois de esquiar perto de Sapporo, é preciso reservar tempo suficiente para voltar antes do jantar.
Em ambos os casos, para organizar bem cada deslocamento, não basta saber a origem e o destino; também é preciso saber o que o viajante planeja fazer antes e depois.