Rumo a uma viagem executiva mais conectada

Por Fran Horrillo, Diretor de Tecnologia

As viagens de negócios passaram por uma ampla digitalização, mas isso não implica que estejam totalmente conectadas entre si. Os voos são reservados em uma plataforma, a hospedagem em outra, as reuniões são agendadas em um calendário, as alterações são gerenciadas por e-mail ou por meio de notificações no celular e o transporte terrestre ainda pode ser organizado separadamente.

Os gestores de viagens têm, portanto, acesso a mais informações do que nunca, mas isso não significa necessariamente que precisem consultar menos sites para encontrá-las.

Em 2026, a tecnologia aplicada às viagens já não se limita a digitalizar processos isolados, mas busca conectar as diferentes partes da viagem. A multinacional de tecnologia TCS destaca que os sistemas de transporte avançam em direção a uma coordenação multimodal, com plataformas digitais que conectam cada vez melhor o transporte aéreo, ferroviário e urbano a outras opções de mobilidade para oferecer deslocamentos de porta a porta.

Dos formulários às conversas

A forma de reservar serviços está mudando. Os formulários, filtros e campos de busca começam a dar lugar a sistemas conversacionais capazes de interpretar uma solicitação em linguagem natural e avançar em boa parte do processo sem obrigar o usuário a preencher manualmente cada etapa.

Em janeiro de 2026, a Sabre e a BizTrip AI anunciaram o desenvolvimento de assistentes de viagens corporativas baseados em IA, projetados para gerenciar processos complexos de reserva, itinerários em tempo real e políticas de viagens corporativas por meio de interfaces de linguagem natural. Muitas dessas tarefas, que antes exigiam alternar constantemente entre diferentes ferramentas, agora podem ser gerenciadas a partir de um único ambiente digital.

Os gestores de viagens continuam tendo o controle sobre as políticas, os custos, as preferências dos viajantes e as exceções. A diferença é que uma parte cada vez maior do trabalho mecânico relacionado a essas decisões pode ser automatizada.

Os itinerários estão se tornando cada vez menos estáticos

Confirmar o itinerário é apenas o começo de uma viagem de negócios. Uma vez iniciada, os horários podem mudar rapidamente e qualquer alteração pode afetar o que vier a seguir.

Tradicionalmente, essas mudanças exigiam a atualização manual de várias reservas e sistemas. Uma mudança no horário de um voo, por exemplo, pode afetar também o traslado para o aeroporto ou o horário da próxima reunião.

Os sistemas de viagens assistidos por IA começam a reduzir parte desse trabalho manual por meio do gerenciamento de itinerários em tempo real e da aplicação automatizada das políticas de viagem. Dessa forma, a tecnologia deixa de se concentrar apenas na reserva inicial e passa a acompanhar também o viajante durante a própria viagem.

A tecnologia preditiva age antes que os problemas se tornem visíveis

Algumas das tecnologias mais úteis para o setor agem antes que o viajante perceba que algo não está funcionando como deveria. A manutenção preditiva utiliza dados para detectar indícios de possíveis falhas antes que elas afetem a viagem, enquanto os gêmeos digitais (réplicas virtuais de ativos ou sistemas físicos) podem ajudar os operadores a monitorar seu funcionamento e antecipar possíveis problemas. Estas tecnologias, juntamente com as infraestruturas inteligentes, são cada vez mais utilizadas no setor de transporte para melhorar a segurança, otimizar o uso dos ativos e aumentar a capacidade de resposta das redes.

É possível que os viajantes nunca cheguem a interagir diretamente com esses sistemas. Seu valor reside justamente em detectar possíveis problemas com antecedência e dar aos operadores de transporte mais tempo para agir antes que eles afetem o passageiro.

Conectando o transporte terrestre ao restante da viagem

O transporte terrestre revela uma das principais desconexões em muitas viagens gerenciadas digitalmente: grande parte das informações necessárias para organizar o serviço já está disponível em outros pontos do itinerário. O número do voo, o horário de chegada, o aeroporto, o hotel, os dados do passageiro e o próximo compromisso são conhecidos com antecedência. No entanto, quando o traslado é organizado separadamente, parte dessas informações pode precisar ser inserida novamente.

O horário de um voo pode mudar em um sistema sem que a atualização chegue a todos os serviços que dependem dele. No transporte terrestre, isso pode fazer com que o traslado continue programado de acordo com o horário de chegada original, mesmo que o voo já tenha sido atualizado em outro sistema. Conectar o transporte terrestre às informações disponíveis no restante da viagem reduz a coordenação manual e permite transferir as alterações relevantes para a próxima etapa do trajeto. Na aviação privada, o horário da aeronave ou o aeroporto de pouso também podem mudar; portanto, os preparativos em terra devem poder se adaptar de acordo.

A integração ainda requer o julgamento humano

A automação funciona bem quando a situação é previsível. Um atraso em um voo pode atualizar o horário de embarque com pouquíssima intervenção, se o restante do itinerário não mudar. No entanto, um desvio, uma mudança de destino ou um imprevisto de última hora podem afetar várias partes da viagem ao mesmo tempo e exigir que alguém avalie o contexto antes de decidir como agir.

As informações rotineiras podem ser transferidas automaticamente entre sistemas, enquanto as situações mais complexas continuam exigindo o julgamento humano. A integração também deve permitir manter a visibilidade sobre o próprio serviço, incluindo o motorista designado, o veículo e as pessoas responsáveis por responder a qualquer alteração.

Menos ferramentas para gerenciar, não mais

Uma boa tecnologia de viagens deve reduzir o trabalho manual, não adicionar mais um sistema que precise ser supervisionado. Para os gestores de viagens, isso significa olhar além da possibilidade de reservar cada serviço on-line e avaliar até que ponto as informações fluem entre eles, como as alterações são comunicadas e quando uma pessoa deve intervir caso a automação deixe de ser suficiente.

O ideal é que o executivo perceba menos tecnologia, não mais. Os serviços podem continuar funcionando de forma independente, embora, para o viajante, façam parte de uma mesma experiência.